José, exemplo de alegria pelo crescimento do “outro”. (Semente Josefina - Agosto de 2016)

José, exemplo de alegria pelo crescimento do “outro”.  

Ó exemplar de toda a santidade, glorioso São José, perdestes sem culpa vossa o Menino Jesus e, para maior angústia, tivestes de procurá-lo por três dias, até que com sumo júbilo o encontrastes no templo entre os doutores.

Por esta vossa dor e por esta alegria, suplicamos-vos com o coração nos lábios, de intercederdes para que nunca nos suceda perdermos a Jesus por culpa grave. Mas, se por suma desgraça o perdermos, fazei que com tão viva dor o procuremos, que o achemos favorável, especialmente na nossa morte, para passarmos a gozá-lo no céu e cantarmos eternamente convosco as suas divinas misericórdias.

7ª Dor e Alegria: O desencontro com Jesus e o reencontro no Templo.

O contexto: o zelo de Jesus pelas coisas do Pai . (Lc 2,43-45)

José e Maria, cumpridores fiéis da Lei, tinham o hábito de subir todos os anos a Jerusalém para as festas da Páscoa, e lá permaneciam por alguns dias, visitando o Templo e rezando.

Quando Jesus completou doze anos, eles foram segundo esse costume saudável, para a Cidade Santa. Ao terminarem os dias da festa, tomaram o caminho de regresso para Nazaré, formando uma grande caravana e confundindo-se com os outros peregrinos da região. Jesus, porém, permaneceu em Jerusalém, entre os pórticos do templo, sem que seus pais percebessem, e ali, entre os rabinos, seguia com atenção os seus ensinamentos.

É preciso salientar que Jesus não se perdeu, mas ficou ali livremente, a fim de cumprir a vontade de seu Pai. Para Ele essa façanha não foi nada difícil, pois as crianças de sua idade, durante a viagem, gostavam de andar juntas ou acompanhadas só o pai ou só a mãe, já que os homens e as mulheres caminhavam em grupos separados, encontrando-se apenas em determinados pontos preestabelecidos para descansar um pouco. E foi na primeira grande parada do caminho que deram por falta do Menino. Eles não podiam imaginar que Jesus tivesse ficado em Jerusalém. Era possível que ele estivesse entre as pessoas que faziam parte da caravana e, por isso, “começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos”. Mas ninguém sabia dar informações sobre o seu paradeiro. Em vista disso, não havia outra coisa a fazer, nem tempo a perder: era preciso, embora já fosse noite, após um dia de estafante caminhada, voltar a Jerusalém para localizá-lo.

Durante três dias, José o procurou, ao lado de Maria, na cidade caótica, como são todos os grandes centros, e ainda fervilhando de peregrinos e estrangeiros. Foram três dias de preocupações misturadas com ansiedade e temor, até que uma alegria inefável lhe veio inundar o coração: Jesus estava no Templo, no meio dos doutores da Lei, provocando, com sua pouca idade, grande pasmo e admiração nos mestres de Israel, “admirados com sua inteligência e suas respostas”.

A EXPERIÊNCIA DE JOSÉ.

José, o humilde carpinteiro de Nazaré, contemplava aquele espetáculo inexplicável sem nada pode dizer. Simplesmente, era seu Filho que estava ali, falando com os sacerdotes e os doutores do Templo, os altos dignitários de Israel.


A angústia de José durante as horas da procura em muito foram superadas pela alegria após o reencontro com Jesus, pois José percebe que seu Filho já começa a assumir o compromisso com as “coisas do Pai”.
Outra causa de grande alegria para São José foi a seqüência das ações de Jesus: mesmo sabendo-se Filho do Pai e vocacionado a uma missão muito importante, Jesus retorna com seus pais para Nazaré e ali permanece, aprendendo com José e Maria, até que se complete a “plenitude dos tempos”.
CONTINUA NOS DIAS DE HOJE.
Desde o instante em que o Anjo revelou a José sua missão, sua vida transformou-se num serviço incondicional aos planos de Deus a seu respeito. Também cada um de nós, que somos seus devotos e chamados a imitá-los, deve consagrar sem reserva todas as atividades de sua vida ao serviço de Nosso Senhor, no cumprimento fiel da vontade de Deus.

A alegria do pai ao constatar que seu filho já sabe que tem outro Pai é uma experiência marcante e consoladora: e São José pode experimentá-la. Como todo bom pai, José se alegra pela descoberta do seu filho, de que é Filho do Pai Eterno. O filho que se descobre “Filho” (Filho de Deus) no Filho (Jesus) sempre é causa de alegria para seu pai. O Guarda do Redentor alegra-se imensamente ao ver as profecias se cumprindo e Jesus assumindo sua missão.

Que São José seja também nosso modelo em alegrar-se pelas descobertas e experiências do “outro” com Deus. Ao perceber que o adolescente Jesus começa a tomar consciência de sua missão e a crescer no relacionamento com o Pai, São José não se sente diminuído, mas alegra-se. Alguns anos antes de João Batista, São José pode dizer em seu coração e partilhar com Maria: “importa que Ele cresça e eu diminua”.

E NOS CONVIDA A CUIDAR DOS INTERESSES DE JESUS.

José foi o primeiro a cuidar dos interesses de Jesus:

José foi o primeiro sobre a terra a cuidar dos interesses de Jesus. Ele cuidou dele desde a infância, o protegeu quando jovem e cumpriu a missão de pai nos primeiros trinta anos de sua vida terrestre”. (São José Marello).

E, ainda hoje continua cuidando dos interesses de Jesus. Não estamos sozinhos: Ele caminha conosco, orienta-nos e sustenta-nos na caminhada.

Eis-nos todos para Ti e Tu sejas tudo para nós. Ensina-nos o caminho, sustenta-nos em cada passo, conduz-nos onde a Divina Providência quer que cheguemos, seja longo ou breve o caminho, fácil ou difícil, vejamos ou não a meta. Depressa ou devagar, contigo estamos certos de estar sempre bem”. (São José Marello).
“Alegremo-nos por sermos protegidos por São José, o qual é tão poderoso junto a Jesus, que não sabe negar-lhe nada. Jesus sobre esta terra somente deu tudo continuamente sem receber nada de ninguém; somente de Maria e de José recebeu tantos préstimos. Agora Ele gosta de retribuir no céu os serviços que recebeu na terra e por isso concede a São José tudo quanto ele pede. E São José, o qual não precisa de mais nada para si, pede e recebe para nós, que somos seus clientes afeiçoados e devotos”. (São José Marello)

Alegremo-nos de sermos protegidos por São José. Mas que isso: por sermos seus Filhos amados.

São José, como todo Bom Pai, com certeza, alegra-se ao ver o nosso crescimento no discipulado e no seguimento de Jesus. 

José, exemplo de prudência e opção pela vontade de Deus. (Semente Josefina - Julho de 2016)

José, exemplo de prudência e opção pela vontade de Deus.

Ó protetor das famílias, glorioso São José, se a volta do Egito foi tumultuada pelo medo de Arquelau, causou-vos grande consolação o sereno convívio de Nazaré, onde Jesus, na obediência, quis ser por Vós preparado para a vida e para o trabalho.

Por esta vossa dor e por esta vossa alegria, estendei-nos que sejamos libertados dos temores e apreensões, para que cumpramos nossos deveres no sereno ambiente da família e do trabalho, sob o olhar paternal de Deus.

Dores e Alegrias de São José - 6ª Dor e Alegria: A Volta do Egito

O contexto: prudente, José busca um lugar seguro para a Sagrada Família. (Mt 2,19-23)

Assim como já havia atendido o comunicado do Anjo para acompanhar o Menino Jesus e sua Mãe ao Egito, e viver lá, num país estranho e pagão, para proteger o Menino da crueldade do rei Herodes, da mesma forma José dispôs-se prontamente a voltar para Nazaré, sua cidade, quando o Anjo lhe comunicou: “Levanta-se tome o Menino e sua Mãe, e volte para a terra de Israel, pois já morreram os que tramavam contra a vida do Menino”.

Deixar o Egito representava para a Sagrada Família muita coisa. Significava abandonar um país idólatra e estranho e tornar a conviver com a gente simples e humilde de Nazaré. Significava voltar a morar na pequena e pobre casa construída de pedras calcárias, com o teto coberto de barro amassado. Significava retornar à prática da profissão simples do carpinteiro, reatando as velhas e gostosas amizades. Implicava a volta à vivência dos bons costumes no exercício de uma vida descomplicada, com um regime alimentar bastante módico, feito de pães, peixes do lago de Genesaré e um pouco de frutas. Significava voltar a freqüentar com regularidade a sua Sinagoga, a partilhar com seu povo a fé no Deus verdadeiro. Implicava, sobretudo, viver uma vida totalmente à disposição da vontade de Deus com uma prontidão que poderíamos dizer inacreditável.

Mas a fama cruel de Arquelau fez com que José tivesse medo de regressar ao país de Israel. Diz o evangelista Mateus que, “tendo ouvido que na Judéia reinava Arquelau em lugar de Herodes, seu pai, receou ir para lá”. De fato, ao assumir o trono de seu pai, Arquelau distinguiu-se pelas atrocidades que cometeu contra o povo de Israel, e José sabia disso; afinal, as notícias espalhavam-se com certa facilidade pelas colônias judaicas situadas fora da Palestina.

A EXPERIÊNCIA DE JOSÉ.

Após o longo tempo de exílio, José entra na pequena casa de Nazaré, onde havia se realizando o mistério a encarnação. Assim descreve o Papa João Paulo II:

“Desde o momento da Anunciação, José, juntamente com Maria, encontrou-se, em certo sentido, no íntimo do mistério escondido desde todos os séculos em Deus e que se tinha revestido de carne: “O Verbo fez-se carne e habitou entre nós”(Jo 1,14). Sim, Ele habitou entre os homens e o âmbito da sua morada foi a Sagrada Família de Nazaré, uma das tantas famílias desta pequena cidade de Galiléia, uma das tantas famílias da terra de Israel. Aí, Jesus crescia e “robustecia-se, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava com ele” (Lc 2,40). Os Evangelhos resumem em poucas palavras o longo período da vida “oculta”, durante o qual Jesus se preparou para a sua missão messiânica”.

A vida da Sagrada Família em Nazaré, aparentemente não mostrava nada de brilhante ou extraordinário, nada que pudesse atrair a atenção das pessoas. Todavia, sob as aparências singelas escondia-se um tesouro de graça e de santidade; aquele lugar pobre era riquíssimo, porque José o adorava com virtudes esplêndidas, que resplandeciam com toda a intensidade em Maria, sua esposa, e em seu Filho Jesus.

CONTINUA NOS DIAS DE HOJE.

A presença contínua deste homem honesto, virtuoso e sério foi motivo de constante enriquecimento na vida de Jesus e de Maria. O Papa Paulo VI, colhendo este feixe de luz brilhante na família de Nazaré, assim se expressou: “São José é o tipo do Evangelho que Jesus, depois de deixar a  pequena oficina de Nazaré e iniciar sua missão de mestre e profeta, anunciará como programa para a redenção da humanidade”.

“Seu exemplo é a prova de que para sermos bons e autênticos seguidores de Cristo não são necessárias coisas grandes, mas bastam virtudes comuns, humanas, simples, porém verdadeiras e autênticas”. Por isso, a atualidade de nossa devoção a São José nos convida a ter um amor sempre mais profundo por Jesus e por sua Igreja, a um serviço oblativo e generoso aos planos de Deus, que para cada um de nós vem indicado segundo as características de vida que nos são próprias.

E NOS CONVIDA A CUIDARMOS DOS INTERESSES DE JESUS.

A prudência de José, que implica na opção por uma vida simples em Nazaré pois esta era a melhor opção para a segurança e para o crescimento de Jesus, nos mostra que para bem servir a Deus não é necessário “fazer ações extraordinárias, senão de fazer em cada coisa a vontade de Deus” Vejamos:

“Imensas são as vantagens que se tiram da união com Deus no santo recolhimento. Vejam a Jesus, Maria e José, os três maiores personagens que viveram nesta terra. Que faziam eles em Nazaré? Nada de grande e extraordinário aparentemente; não se dedicavam senão a ocupações humildes e ordinárias, próprias de uma família de trabalhadores. Mas estando eles animados pelo espírito de oração e de união com Deus todas as suas ações assumiam um valor e esplendor imenso aos olhos do céu. Não se trata, pois, de fazer ações extraordinárias, senão de fazer em cada coisa a vontade de Deus. Sejam pequenos ou grandes os trabalhos que nos tenham sido designados, basta que os façamos por obediência à vontade de Deus e conseguiremos neles grandes méritos”. (São José Marello)


Desejo apresentar à vossa consideração, amados Irmãos e Irmãs, algumas reflexões sobre aquele a quem Deus «confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos». É para mim uma alegria cumprir este dever pastoral, no intuito de que cresça em todos a devoção ao Patrono da Igreja universal e o amor ao Redentor, que ele serviu de maneira exemplar. Desta forma, todo o povo cristão não só recorrerá a São José com maior fervor e invocará confiadamente o seu patrocínio, mas também terá sempre diante dos olhos o seu modo humilde e amadurecido de servir e de «participar» na economia da salvação”. (Papa João Paulo II - Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 15/08/1989)

José, exemplo de fidelidade ao chamado de Deus. (Semente Josefina - Junho de 2016)

José, exemplo de fidelidade ao chamado de Deus.

Ó vigilantíssimo guarda, familiar íntimo do Filho de Deus encarnado, glorioso São José, quando penastes para alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na fuga que com ele tivestes de fazer para o Egito. Mas qual não foi também a vossa alegria, tendo sempre convosco, a confortadora presença de Jesus e de Maria.

Por esta vossa dor e por esta vossa alegria, obtendo-nos que, superando os perigos do mundo e as insídias do demônio, unidos a Jesus e a Maria, consagremos nossa vida ao serviço de Deus e do próximo.
Dores e Alegrias de São José
5ª Dor e Alegria: A Fuga para o Egito

O contexto: a prontidão de São José salva Jesus e Maria da perseguição de Herodes. (Mt 2,13-15)

A narração da fuga e permanência da família de Nazaré no Egito é descrita pelo evangelista Mateus. Ele conta que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-se toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te avise, porque Herodes está procurando o Menino para o matar”.  José, obedecendo ao comunicado do anjo, levantou-se apressadamente durante a noite, tomou o Menino e sua Mãe, e partiu para o Egito, e ali permaneceu até que Herodes morresse.

Esta ordem Divina foi imediatamente executada por José, pois foi a ele, como chefe legítimo e natural e defensor da Sagrada Família, que o anjo apareceu e comunicou o destino do Egito como meta temporária do exílio, até a morte de Herodes. Foi nesse país, escolhido pela Providência, que passaram a viver por algum tempo, alojados provavelmente em um dos bairros hebreus situados numa das cidades próximas à fronteira oriental. Ali os hebreus podiam encontrar auxílio e conforto junto aos compatriotas que viviam naquele país, famoso por suas tradições, suas cidades com monumentos imponentes e seus centros culturais e comerciais.

Não era fácil para um estrangeiro viver no Egito, sobretudo para um hebreu que adorava um só Deus, pois a religião Javista excluía todo e qualquer politeísmo. No ambiente egípcio, entretanto, assim como em todo o Oriente, praticava-se o culto ao imperador e o número de ídolos   era bastante elevado e, além do mais existia um vasto domínio de magia e de superstições.

A EXPERIÊNCIA DE JOSÉ.

Toda a santidade de José está no fato de ter-se colocado totalmente à disposição do plano da encarnação. “Com toda a liberdade e com plena consciência, aceitou consagrar sua vida à do Verbo Encarnado e, por isso, se dispôs a todas as renúncias que esta situação especialíssima dele exigia”. Aceitou tornar-se responsável por Jesus e Maria sem colocar nenhuma condição; ao contrário, empenhou toda a sua liberdade, sua vocação humana e sua felicidade conjugal por esta causa.

José soube também enfrentar as dificuldades inerentes à luta para a sobrevivência e à busca de uma vida digna, mesmo em situações tão adversas, para si e principalmente para Jesus e para Maria, sem deixar que pensamentos ou sentimentos derrotistas ou de ódio tomassem conta de sua vida.

A EXPERIÊNCIA DE JOSÉ CONTINUA NOS DIAS DE HOJE

Também nos dias de hoje muitos são obrigados a deixar sua terra natal, ou o ambiente atual, e partir para terras distantes, para proteger sua vida ou de sai família. Contam-se aos milhões os refugiados migrantes por causa de perseguição religiosa.

No contexto desta 5ª. Dor e Alegria de São José, ouçamos o Papa Francisco:
“Neste nosso tempo, os fluxos migratórios aparecem em contínuo aumento por toda a extensão do planeta. Com frequência sempre maior, as vítimas da violência e da pobreza, abandonando as suas terras de origem, sofrem o ultraje dos traficantes de pessoas humanas na viagem rumo ao sonho dum futuro melhor. Se, entretanto, sobrevivem aos abusos e às adversidades, devem enfrentar realidades onde se aninham suspeitas e medos. Enfim, não raramente, embatem na falta de normativas claras e praticáveis que regulem a recepção e prevejam itinerários de integração a breve e a longo prazo, atendendo aos direitos e deveres de todos. Hoje, mais do que no passado, o Evangelho da misericórdia sacode as consciências, impede que nos habituemos ao sofrimento do outro e indica caminhos de resposta que se radicam nas virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, concretizando-se nas obras de misericórdia espiritual e corporal”.
E NOS CONVIDA A CUIDARMOS DOS INTERESSES DE JESUS.

José, no exercício de sua vocação, torna-se para todos nós uma luz que reflete seus raios benéficos e ilumina toda a nossa vida. Seu exemplo de disponibilidade ao plano de Deus chama nossa atenção para tudo aquilo que Deus espera de cada um de nós, particularmente para a correspondência fiel e generosa à nossa vocação, seja ela qual for.

O exemplo de São José proporciona-nos uma espiritualidade acessível e possível, porque supõe a grandeza da vida diária enquanto tal, no que ela tem de comum, no exercício constante das diversas virtudes assim como ela as viveu. A opção pelos interesses de Jesus deve ser para cada um de nós um propósito firme e que conduz à perseverança, mesmo que em meio às adversidades.

A opção pelos interesses de Jesus deve levar-nos, também, a acolher Jesus na pessoa do Irmão que sofre. No contexto desta 5ª. Dor e Alegria de São José, ouçamos o Papa Francisco, que nos convida a colher os emigrantes e refugiados:

“Os emigrantes são nossos irmãos e irmãs que procuram uma vida melhor longe da pobreza, da fome, da exploração e da injusta distribuição dos recursos do planeta, que deveriam ser divididos equitativamente entre todos. Porventura não é desejo de cada um melhorar as próprias condições de vida e obter um honesto e legítimo bem-estar que possa partilhar com os seus entes queridos?”

“Queridos irmãos e irmãs emigrantes e refugiados! Na raiz do Evangelho da misericórdia, o encontro e a recepção do outro entrelaçam-se com o encontro e a recepção de Deus: acolher o outro é acolher a Deus em pessoa! Não deixeis que vos roubem a esperança e a alegria de viver que brotam da experiência da misericórdia de Deus, que se manifesta nas pessoas que encontrais ao longo dos vossos caminhos! Confio-vos à Virgem Maria, Mãe dos emigrantes e dos refugiados, e a São José, que viveram a amargura da emigração no Egito. À intercessão deles, confio também aqueles que dedicam energias, tempo e recursos ao cuidado, tanto pastoral como social, das migrações”. 


Os desafios são grandes. Tenhamos sérias atitudes como resposta e tenhamos a convicção de que Ele caminha conosco: “Indica-nos, ó José, o caminho, sustenta-nos a cada passo, e conduze-nos para onde a Divina Providência quer que cheguemos”.

Pai, em tuas mãos entregamos a vida do filho que nos destes. (Semente Josefina - Maio 2016).

Pai, em tuas mãos entregamos a vida do filho que nos destes.

Ó fidelíssimo santo, que também tivestes parte nos mistérios de nossa Redenção, glorioso São José, se a profecia de Simeão a respeito do que Jesus e Maria tinham de padecer vos causou mortal angústia, também vos encheu de soberano gozo pela salvação e gloriosa ressurreição que igualmente predisse teria de resultar para inumeráveis almas.

Por esta vossa dor e por esta vossa alegria, obtendo-nos que sejamos do número daqueles que, pelos méritos de Jesus e pela intercessão da Virgem Maria, têm de ressuscitar gloriosamente.

Dores e Alegrias de São José
4ª Dor e Alegria: A Apresentação de Jesus no Templo

O contexto: o Espírito Santo se manifesta através do profeta Simeão e manifesta a missão salvadora de Jesus. (Lc 2,25-35)

O evangelista Lucas narra que vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era piedoso e justo, e recebera do Espírito Santo a revelação de que não morreria sem antes ter visto o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito Santo, veio ao templo, no momento em que José e Maria apresentavam o Menino para o cumprimento da lei a seu respeito. Neste rito da apresentação do menino, a participação de José é incontestável, pois ele, como pai, tinha toda a responsabilidade e, ao mesmo tempo, as prescrições das observâncias religiosas que diziam respeito ao Menino eram da alçada do pai.

Na Escritura, os deveres do pai eram: circuncidar o filho, pagar o resgate prescrito, instruí-lo na Lei, ensinar-lhe uma profissão e levá-lo ao matrimônio. Por isso, é nesta ocasião que Lucas qualifica expressamente José como “Pai” de Jesus.
Simeão, em virtude de seu carisma profético anunciava a José a presença da salvação. As palavras de Simeão revelavam o significado sobrenatural da vida daquela criança, que seria “Sinal de contradição... Queda e reerguimento para muitos em Israel... Salvação para os povos... Luz para iluminar as nações...” e provocaram em seus pais uma profunda admiração.
A EXPERIÊNCIA DE JOSÉ.

São José, generoso e sempre pronto a obedecer, naquela ocasião toma o Menino, levanta-o em seus braços e exclama a Deus:
O Deus Soberano, eis aqui o Menino que me destes como filho. Eu o amo mais que a mim mesmo, adoro-o profundamente e reconheço como meu Deus. Vós quereis que ele seja sacrificado para a salvação de todos os homens; eu me inclino e me calo, adorando os vossos decretos”.

Este foi seguramente o comportamento de José, atitude confiante, aberta e generosa de alguém que ama profundamente a Deus. Vejamos o comentário sobre esta ocasião constante no Curso de Josefologia, (parte I – capítulo 7):
“No rito da apresentação de Jesus aparece evidente, a participação enfática de José porque ele, como pai, era o responsável do Menino e das observâncias religiosas que lhe diziam respeito. Sabemos que entre os deveres de um pai para com o seu Filho estavam a tarefa de circuncidá-lo, de resgatá-lo, de instruí-lo na Torá e numa profissão e de arranjar-lhe um casamento.

Desde o momento em que o Anjo lhe havia transmitido em nome de Deus a ordem de tomar Maria como sua esposa e de dar o nome à criança (Mt 1,21), José passou a viver na espera deste filho e assim, se a Simeão, em virtude do seu carisma profético, tocou anunciar pelos átrios do Templo a presença da salvação na pessoa do Menino (Lc 2,30-31), a José, como pai do Menino, tocou de fazer-lhe os gastos da oferta dele, em virtude do qual todos seriam salvos.

O Papa Pio IX, devoto de São José, quando ainda era apenas um sacerdote, numa novena pregada por ele, ao comentar a apresentação de Jesus no Templo evidenciava a função de São José naquela particular circunstância, e assim descrevia o seu gesto: “José generoso e pronto na obediência, levanta os braços e tendo a suave hóstia do sacrifício exclama; Eterno Pai, eis esta criança, que me deste em lugar de Filho, eu o amo mais que a mim mesmo este amável, este estimado Filho; eu o adoro profundamente e com grandíssima reverência o reconheço por meu Deus; somente nele eu vivo, somente nele eu me movo, somente nele eu existo, mas vós quereis que este penhor seja sacrificado pela saúde dos homens...”

A EXPERIENCIA DE JOSÉ CONTINUA NOS DIAS DE HOJE.

A experiência de José e de Maria diante da revelação profética do futuro de Jesus torna-se hoje muito semelhante à experiência de tantos pais que no nascimento de seus filhos, desejam-lhe um futuro feliz e cheio de realizações; mas ao mesmo tempo, sabem que virão as dificuldades, as incertezas, o convite ao egoísmo e ao pecado e tantos outros desafios a serem vencidos. Assim como José e Maria, assim também nos dias de hoje os pais devem ter a sabedoria de consagrar seus filhos a Deus, confiando a Ela o futuro de seus queridos.

A certeza de que “vale a pena empenhar a vida por Cristo” deve despertar no coração de tantos pais e mães que têm seus filhos vocacionados à vida consagrada sentimentos parecidos com aqueles vivenciados por José e Maria durante a apresentação de Jesus e a profecia de Simeão:
Nem tudo será fácil na via de seu filho(a) tão amado(a), mas a missão é objetivo maior e a aceitação da Vontade de Deus, bem como a certeza de que o sacrifício do filho será a causa da redenção de tantos, consolam o coração dos pais que ao mesmo temem e aceitam tal sacrifício redentor.
Certamente no coração de José e Maria brotaram naquela ocasião uma oração silenciosa parecida com aquele que o próprio Jesus haverá de exprimir um dia: “Pai, se for possível, afasta de nosso amado filho este cálice, mas que seja feita a tua e não a nossa vontade”.

Rezemos ao nosso Patriarca São José para que os pais, cheios de Deus, possam ter serenidade e uma grande fé, mesmo nas apreensões e incertezas da vida, e a mesma generosidade que levou José e Maria a aceitar a vocação do filho e apoiá-lo em seu fiel cumprimento.
E NOS CONVIDA A CUIDARMOS DOS INTERESSES DE JESUS.


Ao se refletir sobre o verdadeiro sentido da “apresentação de Jesus”, vemos que o exemplo do Santo Casal, José e Maria, torna-se um forte apelo à fidelidade na missão. Como bem se expressou São José Marello, quando disse: “Eis a nossa missão: fazer conhecer, fazer amar, fazer cumprir a doutrina de Jesus Cristo”, a missão continua. Naquela época foram José e Maria a dizer o sim, hoje cada um de nós é chamado a fazer o mesmo. 

Foi-lhe dado o de Jesus, conforme o anjo confidenciou a José. (Semente Josefina - Abril 2016)



Foi-lhe dado o de Jesus, conforme o anjo confidenciou a José.  

Ó obedientíssimo executor das leis divinas, glorioso São José, o sangue preciosíssimo que na circuncisão derramou o Redentor Menino vos transpassou o coração; mas o nome de Jesus vô-lo reanimou, enchendo-o de contentamento.

Por esta vossa dor e por esta vossa alegria, alcançai-nos que, sendo arrancados de nós todos os vícios desta vida, com o nome castíssimo de Jesus no coração e nos lábios, expiremos cheios de confiança.
Dores e Alegrias de São José
3ª Dor e Alegria: A Circuncisão de Jesus



O CONTEXTO: o Filho é acolhido como integrante do Povo de Deus e recebe o nome de Jesus.

O evangelista Lucas (Lc 2,21) narra que, passados oito dias de seu nascimento, Jesus foi apresentado, segundo a lei de Moisés, para a circuncisão e na ocasião lhe foi colocado o nome de Jesus.

Esta cerimônia era realizada de preferência na casa dos pais, mas podia ser feita também na Sinagoga. Lucas não diz quem foi o ministro da circuncisão, mas segundo a tradição esta era uma atribuição e um direito do pai. No ato da circuncisão era pronunciada a seguinte oração: “Bendito seja o senhor nosso Deus, que nos santificou com seus preceitos e nos deu a circuncisão, e nos concedeu introduzir nosso filho na Aliança de Abraão, nosso Pai”.  Esse rito fundamentava-se no pacto que Deus havia feito com Abraão. Todo filho homem do povo devia ser circuncidado como sinal de pertença à Aliança, que implicava, da parte do povo adorar o único Deus, andar em seus caminhos, observar a justiça e obedecer à voz de Javé.

Jesus, então, com este rito entrou a fazer parte do Povo eleito. Durante a celebração dava-se a nome à criança; e para os hebreus o nome definia sempre a missão que a pessoa devia desenvolver. E o nome de Jesus encerrava de fato toda a sua missão, pois queria dizer: O Senhor salva!

A EXPERIÊNCIA DE JOSÉ...

A São José foi reservado o grande privilégio de dar o nome ao Filho de Deus e ele foi, assim, o primeiro a pronunciar o nome santíssimo de Jesus: “Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, conforme o chamou o anjo, antes de ser concebido. ” (Lc 2,21)

José sentiu em si a dor do Menino no ato da circuncisão, mas sem dúvida, ao mesmo tempo, sentiu a alegria profunda de pronunciar, pela primeira vez na história, o nome do Salvador, nome que ao longo dos tempos seria sinal de esperança e de vida para todos os povos.
José sentiu, também, enorme alegria por perceber que a Aliança de Deus com o seu Povo chegava à sua plenitude na pessoa de Jesus. Ouçamos o Papa São João Paulo II:

Sendo a circuncisão de um filho o primeiro dever religioso do pai, José, com esta cerimônia (cf. Lc 2,21), exercitou um seu direito e dever em relação a Jesus. O princípio segundo o qual todos os ritos do Antigo Testamento são como que a sombra da realidade (cf. Hb 9, 9 s.; 10,1), explica o motivo por que Jesus os aceita. Como sucedeu com os outros ritos, também o da circuncisão teve em Jesus o seu “cumprimento”. A Aliança de Deus com Abraão, de que a circuncisão era sinal (cf. Gn 17,13), obteve em Jesus o seu pleno efeito e a sua cabal realização, sendo Jesus o “sim” de todas as antigas promessas (cf. 2Cor 1,20). (Redemptoris Custos 11).
José deu ao menino, na ocasião em que o levaram a circuncidar, o nome de Jesus. Este nome é o único em que há salvação (cf. At 4,12); e a José tinha sido revelado o seu significado, no momento da sua “anunciação”: E tu “por-lhe-ás o nome de Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). Quando lhe deu o nome, José declarou a própria paternidade legal em relação a Jesus; e, pronunciando esse nome, proclamou a missão deste menino, de ser o Salvador. (Redemptoris Custos 12)

CONTINUA NOS DIAS DE HOJE.

Nossa vida é cheia de dores espirituais, físicas, sociais. A dor é companheira do homem.  Hoje, os problemas sociais são o clamor que se levanta ao céu. O segredo para superar tudo isso é o próprio nome de Jesus. Seu nome traz também sua presença, que é para o cristão que se abandona a ele a força para lutar, para não desanimar, para vencer.
Mas, não estamos sozinhos. Nosso Pai caminha conosco: “Digamos ao nosso grande Patriarca: Eis nos todo para ti, e tu sejas todo para nós, indica-nos oh José o caminho, sustenta-nos a cada passo, conduz-nos para onde a Divina Providência quer que cheguemos. Seja comprido ou curto, bom ou mal  o caminho, enxergue ou não a meta com a vista humana, devagar ou depressa, contigo, oh José, estamos certos de que sempre caminharemos bem”. (São José Marello - Carta 208 – 08/03/1891).
E NOS CONVIDA A CUIDARMOS DOS INTERESSES DE JESUS.

Esta 3ª. Dor e Alegria de São José nos convida a cuidar dos interesses de Jesus nos dias de hoje e destacamos duas situações nas quais podemos nos empenhar neste sentido:

1ª) Caminhar junto ao Povo que sofre.

Então para nós, como para José, com o nome de Jesus nos lábios e no coração, é preciso seguir em frente na caminhada do Reino de Deus, contribuindo com o plano de Deus para o seu Povo, nos dias de hoje. A caminhada continua, é a nossa vez de sermos os agentes da transformação da sociedade e do mundo, transformação esta que será tanto mais eficaz quanto mais estivermos unidos Àquele que Salva, e que nos envia.

2ª) Estar junto e apoiar a cada “Peregrino” no momento da morte.
A segunda parte da oração da 3ª. Dor e Alegria de São José nos exorta ao crescimento na união com Jesus e à fidelidade até o fim de nossa vida terrena, para então irmos com confiança ao encontro definitivo com Aquele que salva: “Por esta vossa dor e por esta vossa alegria, alcançai-nos que, sendo arrancados de nós todos os vícios desta vida, com o nome castíssimo de Jesus no coração e nos lábios, expiremos cheios de confiança”. A morte de São José, ao lado de Jesus e de Maria, ocorreu neste clima de humilde confiança que brota no coração daquele que pode dizer: “em tuas mãos, ó Pai, entrego o meu espírito”.
A oração das dores e alegrias de São José querem despertar, também, em nós o mesmo ato de fé: “com o o nome castíssimo de Jesus no coração e nos lábios, expiremos cheios de confiança”, ao lado de Jesus, de Maria e de José. E querem despertar também o nosso compromisso de estarmos juntos e apoiar os que estão em situação de perigo extremo ou doença grave a prepararem-se para o “encontro” definitivo com o Senhor. Em algumas situações isso implicará em providenciar a oportunidade de reconciliação e participação no Sacramento da Unção dos Enfermos. Em outras situações poderá implicar na presença amiga ou no abraço confortador, como tantas vezes vimos no testemunho da Bem-Aventurada Teresa de Calcutá.